|
Qualidade e interesse em falta
Baixo nível dos cursos de Direito e pouco empenho dos alunos são apontados como responsáveis pelos maus resultados na prova da Ordem em todo o país.
fonte: gazetamaringa, 05/07/2011
A baixa qualidade de ensino, o desinteresse dos alunos e a unificação do exame são apontados como principais causas do mau desempenho dos candidatos que prestaram o último Exame de Ordem da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) realizado no país. Dos 116 mil inscritos, apenas 9,74% foram aprovados. O resultado é o pior entre todos os exames já realizados pela ordem. No Paraná, o total de aprovados foi de 896, abaixo dos 1.185 do exame anterior.
O índice mais baixo de aprovação era de 14%, relativo à primeira prova realizada no ano passado, com 97,5 mil inscritos. A ordem faz três exames por ano. O resultado da última prova foi divulgado no dia 19 de junho.
Para o jurista Luiz Flávio Gomes, a unificação do exame, no ano passado, explica o aumento do número de reprovações. A porcentagem de aprovados, na média entre as três provas anuais feitas pela ordem, passou de 28,8%, em 2008, para 13,25%, em 2010. Antes da unificação, cada estado fazia a própria seleção. Isso possibilitava que um candidato fizesse provas mais fáceis em algumas regiões, segundo a própria OAB.
Só 13% dos candidatos passaram na segunda fase da prova da OAB-PR no último exame
O presidente da Comissão de Ensino Jurídico da OAB Paraná, Eroulths Cortiano Júnior, defende o exame e diz que o problema está na má-formação dos bacharéis. “O exame é sério, difícil, mas não impossível. Não é feito para reprovar”, diz. Ele avalia que o excesso de faculdades de Direito no Brasil e a baixa oferta de cursos de mestrado e doutorado voltados à preparação dos professores interferem na qualidade de ensino. O mesmo problema pode ser observado nos concursos públicos na área de magistratura, cujo índice de aprovação é baixo, lembra Cortiano Júnior. “Quem faz um curso de Direito bom e leva a sério passa sem esforço”.
|